Prometo que não vou falar de alimentação infantil para sempre, mas não poderia deixar de escrever sobre amamentação. Afinal, amamentação é um tópico que tem facetas sociais, políticas e até mesmo ambientais, e a interface entre alimentação e as áreas acima é justamente o foco do blog. Pretendo escrever uma série de posts sobre o assunto, mas hoje começo com um relato sobre a minha experiência pessoal.

Nunca tive a menor dúvida de que optaria por amamentar meu filho. Mas, assim como na escolha do tipo de acompanhamento pré-natal e do parto desejado, ter acesso à informação de qualidade é muito importante para uma experiência de amamentação bem sucedida. Eu tive a sorte de contar com o super apoio do Breastfeeding Center de Washington DC quando ainda estava grávida. Fundado há muitos anos por uma enfermeira especializada em aleitamento materno, esse centro de amamentação a poucos quarteirões da Casa Branca faz um trabalho maravilhoso: oferece diversas aulas para antes e depois do nascimento do bebê e atendimento particular com consultoras de amamentação para mães e bebês com alguma dificuldade, além de ter uma lojinha com vários itens de suporte ao aleitamento materno (almofada, sutiãns, roupas, entre outros).

Felizmente, tenho conseguido amamentar o Eduardo com facilidade, sem recorrer a leite artificial e mamadeiras. Uma boa parte dessa experiência positiva eu credito ao centro de amamentação de Washington. As aulas a que assisti antes de o Eduardo nascer me deixaram confiantes de que estava agindo da maneira certa nos primeiros dias de vida do pequeno. Aprendi que não podia esperar uma quantidade grande de leite logo na primeira semana. Para deixar isso bem claro, cada gestante sai da aula básica com uma colheirinha bem pequena (equivalente a uma colher de café), que é a quantidade de leite que um recém-nascido precisa no início da vida (a quantidade necessária vai aumentando gradualmente). Assim, ninguém entra em desespero achando que não tem leite o suficiente. As aulas tratam ainda da importância de deixar o bebê sugando o quanto quiser para que a produção de leite ganhe um pontapé inicial, das habilidades instintivas para mamar com as quais os bebês nascem, da importância de a mãe se alimentar bem, da importância de evitar mamadeira (inclusive com leite materno tirado com bomba) e chupeta durante as primeiras semanas para reduzir o risco de o bebê confundir o bico artificial desses objetos com o bico do peito, entre várias outras coisas.

Além de aulas básicas sobre amamentação, o Breastfeeding Center oferece também aulas de apoio a mães que querem continuar amamentando depois de voltar a trabalhar (licença maternidade nos Estados Unidos não é obrigatoriamente remunerada, então muitas mães têm que voltar a trabalhar muito cedo), aulas de como amamentar o bebê dentro do sling ou outros baby carriers e aulas sobre como usar as diferentes bombas existentes no mercado para extrair leite materno. Até aula para pais (ou para parceiras, avós ou qualquer outra pessoa que estará em contato com a mãe nas semanas seguintes ao parto) o Breastfeeding Center tem! Nessas aulas, enfatizam a importância de dar todo o apoio necessário em casa para que a amamentação seja bem-sucedida, oferendo dicas práticas para ajudar a mãe e o bebê.

O centro também oferece grupos de apoio a mães e seus bebês de acordo com a idade dos pequenos. Comecei a frequentar o grupo de 0 a 4 meses quando o Eduardo tinha apenas 5 semanas. Os encontros semanais contam com a participação de uma consultora de amamentação que tira dúvidas e serve de mediadora de uma conversa gostosa entre mães. Aprendi um bocado nesses encontros e fiz algumas amizades bastante interessantes. Quando o bebê completa 4 meses, se ‘forma’ e passa para outra ‘turma’, a de 4 a 12 meses e, depois, para a turma para bebês a partir de 1 ano.

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