Em uma recente ida à Itália para ver a família do marido (o que explica a falta de posts nas últimas semanas), visitamos a cidadezinha de Ostuni, na Puglia, perto da costa do Mar Adriático, e lá conhecemos Giuseppe Roma, um senhor simpatissíssimo que produz colheres de madeira artesanais há mais de 40 anos.

Colheres feitas por Giuseppe Roma. Foto: acervo pessoal.

O senhor Giuseppe adora falar sobre seu trabalho. Como eu e o meu marido curtimos muito esse tipo de experiência, a conversa durou bastante tempo. As colheres de Giuseppe são feitas com madeira de oliveiras, facilmente vistas das estradas da região da Puglia. As oliveiras da Puglia, contudo, são protegidas e não podem ser derrubadas. Giuseppe viaja a cada cinco anos para outra região no sul da Itália, a Calábria, onde a derrubada de oliveiras é permitida porque existe uma grande quantidade de árvores jovens e selvagens, a fim de comprar madeira para sua produção. Cada colher leva cerca de 12 horas para ser finalizada. Giuseppe reclama que muitos jovens, principalmente os de Bari, a capital da Puglia, pedem para pagar somente cinco euros por suas colheres, em vez da média de 18 euros cobrada pelo artesão.

Oficina de Giuseppe Roma. Foto: acervo pessoal.

Ferramentas usadas por Giuseppe Roma na confecção de suas colheres. Foto: acervo pessoal.

Saí da oficina de Giuseppe Roma encantada com o seu trabalho. Encontrar um artesão de utensílios de cozinha de alta qualidade em pleno ano de 2012 foi uma maravilha. Mas a visita também me fez refletir sobre os apetrechos de cozinha cada vez mais abundantes e descartáveis que encontramos hoje em dia nas lojas espalhadas pelo mundo. Acho uma tristeza vivermos em uma sociedade na qual grande parte da população não se importa de comprar utensílios produzidos em massa, provavelmente em alguma fábrica na China, por funcionários sem qualquer relação afetiva com aquilo que produzem. Ou, ainda pior, vivermos em uma sociedade cada vez mais ávida por uma infinidade de produtos de cozinha completamente supérfluos, que servem somente para deixar nossas casas cada vez mais entupidas. Será que realmente precisamos de um Krustbuster (um produto de plástico criado especialmente para retirar a casca de pães de forma), caixas específicas para guardar tomate ou cebola, um separador de filtros de papel para café, ou ainda um Dipr, uma colher específica para molhar biscoito recheado (do tipo redondinho) no leite? Acho que o produto que me deixa mais embasbacada é o removedor de casca de pão. Como pode alguém achar normal criar um produto tão específico e que ainda por cima serve para retirar e jogar fora algo perfeitamente comestível?

O Krustbuster em ação. Foto retirada do site http://www.unclutterer.com.

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